SANTO TOMAS DE AQUINO TERIA CONDENANDO O LOCKDOW

SANTO TOMAS DE AQUINO TERIA CONDENANDO O LOCKDOW

“Saúde em primeiro lugar” é o raciocínio com que alguns governantes sempre ordenaram encerramentos, ainda que impopulares e destrutivos para a sociedade. “Não é fácil tomar essa decisão, uma decisão impopular, difícil, dura, nenhum governante gosta de parar. Neste momento só temos o isolamento como alternativa para reduzir a marcha do vírus em primeiro lugar. O que disse o Governador é a prudência da “carne” que nos faz esquecer o objetivo final.

Um dia eu estava almoçando com um amigo. Obviamente, falamos sobre nossas paixões comuns, a maior das quais é a filosofia de Santo Tomás de Aquino. O meu comensal, a certa altura, comentou: “É realmente incrível … tudo o que eu preciso, procuro na Summa e encontro a resposta. Santo Tomás realmente escreveu tudo, sobre tudo!”. Aí concordei: várias vezes resolvi uma dúvida ou uma questão graças ao meu filósofo preferido. No entanto, recentemente, tive uma confirmação inesperada disso.

Eu estava lendo as declarações recentes do governador Doria sobre a “zona roxa”. O político afirmou: “Não é fácil tomar essa decisão, uma decisão impopular, difícil, dura, nenhum governante gosta de parar. Neste momento só temos o isolamento como alternativa para reduzir a marcha do vírus”. (Poder 360) Declarações em perfeita harmonia com o que o primeiro-ministro italiano que havia declarado: “Sempre adotamos uma linha coerente: a proteção da saúde está em primeiro lugar.” Seu sucessor, Mario Draghi, segue a mesma linha: a prioridade do (novo) governo é a proteção da saúde. Parecem, de fato, afirmações de bom senso: prudente! Nós escolhemos a saúde, a proteção da saúde vem em primeiro lugar.

Agora: se é verdade que Santo Tomás disse tudo sobre tudo, ele também deve ter dito algo que pode ajudar a julgar essas afirmações. Claro, Covid-19 não existia, na época do filósofo místico, mas as doenças existiam, as epidemias também. Então vamos tentar.

Vamos abrir a Summa… secunda secundae… quaestio 55, artigo 1… Taaaac! “[…] Por prudência da carne entende-se propriamente a de quem considera os bens da carne como fim último da sua vida. Ora, é evidente que isso é pecado: porque desvia o homem do fim último, que não consiste nos bens do corpo, como mostramos acima. Portanto, a prudência da carne é pecado”.

Para usar uma expressão do filósofo Agamben, colocar a “vida nuaem primeiro lugar não é apenas triste; é pior. Considerar o bem do corpo em primeiro lugar, antes do culto, antes da vida social, antes do trabalho e da liberdade, é pecado. Portanto, do ponto de vista moral, tanto o ex-primeiro-ministro e seu sucessor Draghi, estão completamente errados. A posição deles não é prudente, mas pecaminosa. Isto é, se não se arrependem irão ao inferno … como aqueles que pensam como eles!

Bem, aquele meu amigo tinha razão: na Summa estão todas as respostas; São Tomás já escreveu tudo. O que não entendo neste momento é por que o Summa não é um best-seller …