O que penso das aparições

Pe. Gabriele Amorth (1925-2016)

Muitas pessoas ouvem e acolhem as mensagens da Senhora, mas é enorme o número daqueles que não querem ouvi-las. Se são os não crentes, os afastados da Igreja ou os que pertencem a outras religiões, compreendo; mas que sejam os católicos, os padres, os bispos a não quererem ouvir ou a rejeitá-las é uma coisa que considero imperdoável.

“Queridos filhos, também hoje quero dizer-vos: estou convosco, mesmo nestes dias inquietos em que Satanás quer destruir tudo o que eu e o meu Filho Jesus estamos a construir. Ele principalmente quer arruinar as vossas almas e conduzir-vos para o mais longe possível da vida cristã e dos mandamentos que a Igreja vos chama a viver. Satanás quer destruir tudo o que é santo em vós e em torno de vós; por isso, filhos, rezai, rezai, rezai para poderdes compreender tudo o que Deus vos dá através da minha vinda. Obrigada por terdes respondido à minha chamada.”

Mensagem, em 25 de setembro de 1992

Pensai no tamanho do eco da aparição da Senhora, em La Salette: no dia 19 de novembro de 1846, dois adolescentes – Maximin Giraud e Mélanie Calvat – disseram que tinham visto Nossa Senhora na localidade francesa de La Salette-Fllavaux, departamento de Isère, próximo de Corps. Foi em uma única aparição que aconteceu num só dia e nada mais… Em pouco tempo, a fama daquela aparição difundiu-se por todo o mundo católico. Enquanto aqui, em Medjugorje, a Senhora aparece há vinte e quatro anos*.  Pensai: vinte e quatro anos de aparições e de mensagens que são outros tantos convites à conversão, à oração e à paz.

Como sabemos, a Igreja não se pode pronunciar sobre Medjugorje porque as aparições ainda estão a decorrer. Mas, se tivesse havido alguma coisa que não estivesse bem, que fosse contrária à fé, a Igreja teria intervindo. Ao contrário, apurou-se que os frutos são todos ótimos: afluência contínua de peregrinos de todo o mundo, uma numerosa quantidade de confissões e de conversões, muitas curas e libertações, numerosas reaproximações aos sacramentos, milhares de grupos de oração. Por isso, a Igreja observa com atenção e faz com que os peregrinos sejam acolhidos e ajudados no seu caminho de fé. Por enquanto, as únicas palavras são as da Conferência Episcopal Jugoslava que, entre outras coisas, disse: “Não nos pronunciamos a respeito das aparições, mas declaramos que Medjugorje é um centro de peregrinação, e que os peregrinos têm direito de encontrar o serviço sacerdotal nas suas línguas”.

Olhai, talvez não vos deis conta da importância desta frase. Mas, na perspectiva do Direito Canônico, esta frase é, de fato, uma abertura importante porque, graças a ela, todos os sacerdotes que vão a Medjugorje têm o direito de celebrar e confessar sem pedir nenhuma licença. Todos os sacerdotes do mundo podem confessar e celebrar, e estas palavras dos bispos jugoslavos fizeram com que se intensificassem as peregrinações a Medjugorje.

“Satanás, principalmente quer arruinar as vossas almas e conduzir-vos o mais longe possível da vida cristã e dos mandamentos que a Igreja vos chama a viver” – diz-nos a Senhora na mensagem que hoje decidi comentar. Uma mensagem que insisti e de modo particular na conversão. Diz-se que também João Paulo II teria exprimido o desejo: “Se eu não fosse Papa, iria confessar-me a Medjugorje”.

Mas por que é que o diabo está tão empenhado em arruinar as nossas almas? Já o dizia o Catecismo de São Pio X, aquele que todos aprendíamos antigamente, quando éramos criança: por ódio a Deus, Satanás tenta o homem ao mal, quer arrancar-nos a Deus e levar-nos para o Inferno, para o mais longe possível da vida cristã e dos mandamentos que a Igreja nos chama a viver. Como é belo este realce de Nossa Senhora sobre a fidelidade de Deus!

Deus deu-nos os dez mandamentos explicitamente sobre o Monte Sinai, a Moisés, fazendo assim a sua primeira aliança com o povo hebreu. Mas eles já estão inscritos no espírito humano. Depois, é Jesus quem no-los recorda.

A todos aqueles que vêm ter comigo e me dizem que estão longe, eu digo sempre: “Sabes que no fim desta vida se morre? E para onde se vai depois de morrer?”  Poucos me respondem: “Acabou tudo”. Alguns dizem: “Não sei”. A maioria responde oi Inferno ou Paraíso. Sabem muito bem que é este o destino, mas não pensam nisso nem se interessam; mas sabem-no. Eis, por isso, a importância das mensagens de Medjugorje: a Senhora pede a conversão e que sigamos os mandamentos para não acabarmos nas mãos de Satanás.

Falávamos dos vinte e quatro anos de aparições. Mas quando foi que Nossa Senhora apareceu num lugar todos os dias durante todo esse tempo? Nunca. Esta coisa é o unicum de Medjugorje. Pensai nas aparições marianas no mundo: Lourdes, Fátima, La Salette… Mas também nas muito menos conhecidas e, no entanto, igualmente importantes. Em Medjugorje existe alguma coisa de diferente: vinte e quatro anos com variadas mensagens. Todos os meses, no dia 25, há a mensagem mais conhecida; depois, no dia 2 de cada mês, há a mensagem a Mirjana* e ainda outras mensagens aos outros videntes.

Tende certeza de que a Senhora que apareceu há mais de vinte anos é um fato imenso que nunca aconteceu. E, como Ela sempre diz, trata-se de algo que nunca mais se repetirá desta maneira. Isto dá-vos a ideia do grave estado de indigência em que o mundo se encontra, longe de Deus, e com graves e iminentes perigos de guerra. Guerra entre os homens e entre as nações e também guerra dos homens contra a natureza.

Deus já não vos faz como no Antigo Testamento quando avisava o povo hebreu enviando os profetas. Deus envia diretamente a sua mãe, Nossa Senhora. Eu pergunto: será possível não acreditar? Como é possível até ser-se hostil a Medjugorje? Repito: sabemos que os frutos são ótimos: conversões, graças de todos os tipos. E, se pensarmos bem, bastam-nos estes motivos, não crer é realmente uma ocasião pedida.

* Atualmente: há 38 anos

* Atualmente: não há mais a mensagem do dia 2 de cada mês

Fonte: UM EXÉRCITO CONTRA O MAL – A minha verdade sobre Medjugorje – Gabriele Amorth