Considerações sobre a promoção da vacina pela Santa Sé.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PROMOÇÃO DA VACINA PELA SANTA SÈ

Há alguns dias, no Canale5 da Itália, foi transmitida uma entrevista a Jorge Mario Bergoglio sob o disfarce incomum de patrocinadores de empresas farmacêuticas. Nós o tínhamos visto, até agora, como um político, um sindicalista, um promotor da imigração selvagem, do apoiador da recepção de imigrantes ilegais, de filantropo: em todas essas metamorfoses sempre emergiu, ao lado da capacidade de abstrair totalmente de seu papel institucional, a disposição multifacetada do argentino, que agora se descobre promotor de empresas farmacêuticas, um apoiador convencido de vacinas e apoiador zeloso por um ano usamos Covid como meio de controlar as massas, para impor o Grande Reset querido pelo Fórum Econômico Mundial.

Que a vacina não dá qualquer garantia de eficácia, mas pode induzir efeitos colaterais graves; que, em alguns casos, é produzida a partir de células fetais abortivas e, portanto, é absolutamente irreconciliável com a moralidade católica; que o tratamento com plasma hiper imune ou protocolos alternativos é boicotado apesar das evidências de sua validade, não importa para o novo “especialista“, que do nada de suas habilidades médicas vem recomendar a vacinação aos fiéis, ao mesmo tempo em que exige que os cidadãos do Vaticano, com autoridade soberana, se submetam ao tratamento questionável em nome de umdever éticonão especificado. O sombrio Salão Paulo VI foi emblematicamente escolhido como um templo no qual celebrar este novo rito de saúde, oficializado pelos ministros da religião Covid para garantir certamente não a salvação das almas, mas a promessa ilusória da saúde corporal.

É desconcertante que, tendo demolido inescrupulosamente não algumas verdades católicas em nome do diálogo com hereges e idólatras, o único dogma ao qual Bergoglio não está disposto a desistir é precisamente o da obrigação de vacinação – lembre-se: dogma que ele definiu unilateralmente sem qualquer procedimento sinodal! –dogma antes do qual se poderia esperar um mínimo de prudência se não ditasse pela consistência moral, pelo menos pela escrupulosidade utilitária. Porque cedo ou tarde, quando você vir os efeitos da vacina sobre a população; quando você começar a contar os mortos e aqueles que terão uma vida inteira tendo uma droga que ainda está sendo testada, alguém poderá pedir para aqueles que têm sido apoiadores muito fortes dessa vacina para prestar contas.

Nesse ponto será natural elaborar uma lista na qual, para os autoproclamados “especialistas“, virologistas e imunologistas em conflito de interesses, com as redes de mosquitos no pagamento da Big Pharma, aos veterinários com duvidosas habilidades científicas, aos jornalistas e formadores de opinião financiados pelo governo, e aos atores e cantores desonrados, Bergoglio também é adicionado como um testemunho excepcional e Prelados em seu acompanhamento, que, em virtude da autoridade reconhecida a eles, convenceram os sujeitos desavisados a se emprestarem à inoculação da chamada vacina. E se hoje a falta de competências específicas não parece ser argumento suficiente para induzi-los pelo menos a um silêncio sábio, naquele momento o “eu não sabia“, “eu não podia imaginar“, “Não era meu campo de conhecimento” será julgado como agravante, como deveria ser. Stultum est dizer putabam.(é estulto dizer “eu pensava”, “eu acreditava que …”)

É claro que, na Igreja Bergogliana, pode-se legitimar de fato o concubinato com Amoris laetitia,a ponto que Avvenire (o jornal da conferência episcopal italiana) fala hoje de “Parentalidade homogénea” com a facilidade de um panfleto de propaganda de gênero; pode-se celebrar em São Pedro o rito idólatra para a Mãe Terra para piscar no ambientalismo malthusiano; a questão do Sacramento da Ordem pode ser alterada conferindo ministérios às mulheres; a pena de morte pode ser declarada imoral, mas pode ser casualmente silenciada sobre o aborto; a comunhão pode ser administrada aos pecadores públicos, mas negada àqueles que desejam recebê-la na língua para não cometer sacrilégio; é possível – como é agora o caso na Irlanda – proibir alunos de escolas católicas de entrar em sala de aula se não forem vacinados. No entanto, essas adulterações descaradas da doutrina católica – em perfeita continuidade ideológica com a revolução do Concilio Vaticano II – são acompanhadas pelo granito e pela inabalável profissão de fé em uma “ciência” que invade o esoterismo e a superstição. Por outro lado, quando você deixa de acreditar em Deus, você pode acreditar em qualquer coisa.

Assim, se para Bergoglio pertencer à única Igreja de Cristo através do Batismo é, em última análise, supérfluo para a salvação eterna de uma alma, o rito de iniciação da vacina é proclamado ex cathedra indispensável para a saúde física do indivíduo, e como tal apresentado como indefensável e necessário. Se é possível deixar de lado a Verdade revelada em nome do ecumenismo e do diálogo inter-religioso, também não é permitido questionar os dogmas de Covid, a revelação midiática da pandemia, o sacramento salvador da vacina. E se “com os Irmãos todos” podem teorizar a irmandade universal independentemente da fé no único Deus vivo e verdadeiro, nenhum contato é possível com os chamados “negacionistas”, uma nova categoria de pecadores vitandi, para quem a inquisição da saúde e a excomunhão da mídia devem punir o herege e ser um aviso para o rebanho. “Se alguém vem até você e não traz esse ensinamento, não o recebe em casa e não o cumprimenta“, avisa São João (2 Jo, 10). Bergoglio deve ter entendido mal, então ele cumprimenta e abraça abortistas e criminosos, mas ele não se contamina com o No-vax. (aquele que é contra a vacina)

Não escapará do fato de que esse dogmatismo científico – que horrorizaria os mais amargos defensores da primazia da ciência sobre a religião – está sendo elogiado precisamente por aqueles que os cientistas não são, do influenciador Bergoglio, do atleta Biden, do especialista ao político: todos desejosos para colocar os braços na frente das câmeras; exceto então para descobrir a partir dos vídeos que, em muitos casos, a agulha da seringa é coberta pela tampa, ou que o líquido inoculado é transparente, enquanto o soro de vacinação deve ser opaco. Estas são, obviamente, objeções que os sacerdotes de Covid rejeitam com desdém: o mistério faz parte da ritualização da ação sagrada, assim como o sacramento realiza o que simboliza; ministrar a vacina com a agulha retrátil ou sem pressionar o êmbolo da seringa serve para dramatizar a mensagem a ser transmitida às massas de crentes. E as vítimas do rito, aqueles que para o bem de todos se oferecem dóceis à miragem de uma imunidade que nem mesmo Pzifer, Moderna ou Astra Zeneca e China se atrevem a garantir, representam o sacrifício, também parte da nova religião da saúde. Diante disso, os inocentes abortados no terceiro mês para produzir algumas vacinas realmente parecem constituir uma espécie de sacrifício humano com o qual propiciar os poderes infernais, em uma paródia aterrorizante que só os profanos podem fingir não ver.

No grotesco delírio cerimonial há também a Nota da Congregação Sagrada para o Culto Divino, que ignorando o ridículo promulga em latim manco até instruções sobre como impor as Cinzas Sagradas: “Deinde sacerdos abstergit manus ac personam ad protegendas nares et os induit“. A purificação das mãos com o detergente e o uso da máscara são cientificamente inúteis, mas simbolicamente necessárias para a transmissão da fé expressa pelo rito. É precisamente nisso que se entende o quão verdadeiro e válido é o antigo ditado “Lex orandi, lex credendi“, segundo o qual a forma como se reza reflete o que se acredita.

Alguns se oporão, numa tentativa lamentável de evitar o colapso total do Papado de Bergoglio, que as opiniões que ele expressou são e permanecem questionáveis, e que, portanto, não há obrigação para o católico se submeter a uma vacina que sua consciência e moralidade natural o mostram como imoral. Mas é precisamente no Canale5 que o novo “magistério papal” é explícito, assim como no avião foi definido o dogma LGBT de “Quem sou eu para julgar” foi definido, e em uma nota de rodapé de Amoris Laetitia a indissolubilidade do Casamento em nome da pastoral. Políticos lançam tweets nas redes sociais, os chamados especialistas pontificam em salas de televisão, prelados pregam em entrevistas: não vamos nos surpreender se um dia Bergoglio aparecer em um comercial de patinetes elétricos.

Os católicos, iluminados pelo sensus fidei que instintivamente sugere a eles o que contrasta com fé e moral, já entenderam que o papel de vendedor dos suprimentos de saúde é apenas uma das muitas partes recitadas pelo poliédrico Bergoglio. O único papel que ele persiste em não querer desempenhar – por incapacidade óbvia, pela insoferença conatural ou mesmo pela escolha deliberada desde o início – é o de Vigário de Cristo. O que revela quais são as referências do argentino, qual ideologia o inspira, quais os propósitos que almeja e os meios que pretende adotar para alcançá-los.

  

+ Carlo Maria Viganò, Arcebispo

14 de janeiro de 2021

  1. Hilarii Episcopi Confessoris Ecclesiæ Doctoris