A curta e intensa vida de Carlos Acutis Beato com 15 anos

Carlos Acutis foi proclamado beato na Basílica superior de São Francesco, em Assis. Já chamado pelo povo de Patrono da Internet, o jovem milanês soube usar até os novos meios de comunicação em benefício das almas, para o Reino de Deus. Mas o segredo que o conduzia direto para o Paraíso foi um só e foi muito mais real do que nunca: o amor exclusivo pela Eucaristia, Coração vivo de Jesus.

Quando São Pio X publicou o decreto Quam Singulari com o qual reduziu para sete anos a idade para receber a Sagrada Eucaristia, quase a reduzindo pela metade, motivou a sua escolha desta forma: “Haverá santos entre as crianças“.

Era o 1910 e ninguém poderia imaginar que, cerca de cem anos depois, o céu acolheria um menino santo que fez, justamente da Eucaristia, o centro de sua vida e sua “autoestrada para o céu“.

Trata-se de Carlos Acutis (1991-2006), que foi beatificado sábado, 10 de outubro, às 16h30, na Basílica Superior de São Francisco de Assis, com um rito presidido pelo Cardeal Agostino Vallini.

Olhando mais de perto, Carlos é apenas uma das fileiras de crianças que, por aquela profecia, saudaram a terra com o perfume da santidade. Em primeiro lugar, os dois Pastorinhos de Fátima, Francesco e Giacinta Marto.

O jovem milanês, por sua vez, passou toda a sua curta vida, até a oferta da sua vida, pelo amor de Jesus, de Maria Santíssima e da Igreja. Ele ascendeu ao céu em 12 de outubro de 2006, quando tinha apenas 15 anos, de leucemia fulminante.

O seu corpo, incorrupto, de 1 a 17 de outubro, ficará em exposição para veneração dos fiéis no Santuário da Espoliação, onde já repousou desde abril de 2019, data da sua transferência para o local.

Pois bem, a profecia de São Pio X, que já espantava os teólogos do início do século XX, acostumados a separar as crianças das “coisas de Deus“, soa ainda mais incrível, se se considera que um dos grandes campos em que o novo Beato atuou no seu apostolado era a da Internet, para a qual o menino foi dotado de dons absolutamente fora do comum.

Muitos são os testemunhos do seu génio na informática, tanto que Carlo Acutis representa certamente um modelo virtuoso de como os novos meios de comunicação podem ser utilizados de forma saudável e inteligente, que hoje são capazes de arruinar a vida de jovens como ele. Carlos, por outro lado, com a Graça de Deus, soube usar até as ferramentas de informática, para o benefício das almas e para a construção do Reino de Deus.

O próprio Papa Francisco, na Exortação Apostólica dedicada à santidade, “Christus vivit“, falou de Carlos nestes termos: “Ele soube usar as novas técnicas de comunicação para transmitir o Evangelho, para comunicar valores e beleza“.

A este respeito, é hoje universalmente conhecida a exposição sobre Milagres Eucarísticos que concebeu e criou, que percorreu os maiores santuários do mundo e, através de um site dedicado, pode ser visitada inteiramente online.

Poderíamos falar em profusão sobre as várias virtudes cristãs de Carlo Acutis. Basta dizer que o camareiro hindu da casa dos Acutis – que acompanhava Carlo um pouco por toda parte: à escola, à igreja, aos amigos, às aulas de catecismo e que, todas as noites, percorria a vizinhança distribuindo as sobras dos jantar – vendo seu modo de viver e morrer, ficou tão fascinado que se converteu, pediu o Santo Batismo e entro a fazer parte da Igreja Católica. E, no entanto, embora o seu exercício heroico das virtudes já fosse claro em sua vida, nada dissemos ainda sobre Carlo Acutis, se não falarmos de sua relação excepcional com Jesus Eucaristia.

Como disse sua mãe Antonia Acutis, a grande devoção de Carlo à Eucaristia começou desde muito jovem. De fato, quando tinha apenas sete anos foi autorizado a receber a primeira comunhão: a partir desse momento cresceu nele, o santo desejo de ir à missa todos os dias, e o fez até o dia da sua doença repentina e da partida antecipada para o céu.

Depois da primeira comunhão em 1998, Carlos pediu e conseguiu com insistência que toda a família pudesse fazer a consagração ao “Sagrado Coração de Jesus, a razão para ele era muito simples: “A Eucaristia é verdadeiramente o Coração de Jesus“.

Cada vez que a criança recebia a Hóstia consagrada, ela recitava esta oração: “Jesus, sente-se! Faça como se estivesse em casa! ”. E para se preparar para o encontro com Jesus, Carlos fazia todos os dias – antes ou depois da missa – uma pequena adoração eucarística. A razão desse seu hábito devoto, ele explica da seguinte forma: “Diante do sol a pessoa se bronzeia, mas diante da Eucaristia a pessoa se torna santo!“.

Além disso, Carlo aos 11 anos começou a ser ajudante catequista: foi precisamente nesta ocasião que o menino ficou realmente surpreso e muito triste ao ver quanta indiferença havia diante do Santíssimo Sacramento. Tanto que muitas vezes se perguntava: “Como é possível que diante de um show de rock, ou de um jogo de futebol, haja filas infinitas de pessoas e depois diante do Tabernáculo, onde Deus está realmente presente, há tão poucas pessoas?“.

De sua parte, Carlos desejava ser santo mais do que qualquer outra coisa no mundo e estava profundamente convencido de que não só ele, mas todos eram chamados à santidade. Para explicar este apelo do Céu que verdadeiramente investe todo homem, Carlos repetia: “Todo mundo nasce original, mas muitos morrem fotocópias”.

Bem, se alguém agora pensasse que as aspirações piedosas de Carlo eram guiadas por um contexto familiar marcadamente católico, se ficaria surpreso em saber que exatamente o oposto aconteceu na casa dos Acutis. Será o amor abrangente de Carlo e o desejo ardente pelas coisas do Céu que “forçará” a fé morna e superficial de seus pais a se tornar uma fé autêntica.

A mãe Antonia confessa que por volta dos cinco anos de idade Carlo, constrangido por suas perguntas tão precisas e profundas sobre Jesus, chegou a se matricular em alguns cursos da faculdade de teologia de Milão. E não exagera quando diz que seu filhinho foi para ela um pequeno salvador, justamente porque a salvou de uma vida longe de Deus.

O desejo ardente de ser santo que acompanhou o grande pequeno Carlos ao longo de sua vida, também o preparou perfeitamente para a morte, que para ele nada mais era do que o momento desejado do encontro com seu amado Jesus.

Assim, quando entrou no hospital por causa de um improviso mal-estar, que mais tarde se revelou leucemia fulminante, Carlos compreendeu imediatamente o que estava acontecendo com ele. A partir daquele momento tudo aceitou com grande abandono, inclusive os sofrimentos tremendos daqueles dias: ofereceu tudo pelo Papa e pela Santa Igreja e para “andar diretamente no Paraiso. E quando chegou a “sua hora“, ele a acolheu com um sorriso nos lábios e o rosto já transfigurado por aquela luz eucarística que ele adorou durante toda a sua vida. O coração incorrupto de Carlos, ficou na  Basílica superior de San Francesco, em Assis, para a veneração dos fiéis, juntos de toda as parte da Itália e até do exterior.  Beato Carlo intercede por todos nós e que possamos, também nós, fazer da Eucaristia, uma “autoestrada para o céu”!